domingo, 24 de noviembre de 2013

domingo

É difícil definir o que eu estou sentindo. É difícil por ser um misto. Não é emoção. Não me sinto tão sozinha assim. Me sinto livre, no sentido mais ingênuo que esta palavra pode ter. Me sinto me curando e me ferindo, mas bem menos do que antes. Eu buscava em você coisas que você nunca poderia dar. Hoje é tudo tão igual, e tão diferente... Eu vivo a minha vida e sempre acho que poderia ter bebido um pouco menos. Eu falo com pessoas, me aproximo delas... e elas também se aproximam de mim, agora. Ontem acordei sob quatro patas. Corri solta e pisei na grama. Não busco nas pessoas a minha solução, acho que busco algo muito mais simples: companhia. Companhia para as minhas músicas, aquelas que não são feitas para se ouvir sozinha.
Tenho feito muito por mim. 
Principalmente vivido
por mim, pra mim
e porque vivo sigo deste modo
deixando as coisas que me fazem mal para trás...
Pensando em busca de mim mesma. Desta que precisa se curar de tantas feridas, mas que mesmo assim as enfaixa e sai em busca de abrigo. Tenho este abrigo em mim. Nele cabem algumas pessoas, cabem algumas coisas, alguns discos. Mas lá não tem espaço para você.

Agora tudo faz mais sentido. Este agora, este hoje. Conversar com você é sempre andar sob quatro patas: corremos soltas, pisamos na grama, gargalhamos. E ninguém ali irá dizer que a gargalhada deveria ser só um pouquinho mais baixa. Não gostamos de pouquinho. Você, libriana, me ensinou a quebrar a balança que confundem com equilíbrio, mas na verdade é miséria. A gente não quer miséria. Queremos viver bem, comer e beber bem, rir bem alto. Falar das coisas que realmente importam... E o que importa, não é mesmo? Os problemas? Ah, eles sempre estarão ali apimentando e temperando a vida corriqueira... Assim são as contas e os eventuais problemas financeiros. Decepções, velórios e enterros dão à vida justamente aquilo que queremos: intensidade. Quem não chora por medo de parecer fraco e quem não ri com medo de parecer tolo não vive, não é? Você me traz esta cavaleira que há em mim. Então monto em meu cavalo, te ajudo a subir nele e vamos galopando... galopando... galopando vida afora. Vida pra dentro só dura os poucos meses da gestação. A gente gosta é de nascer. Sangrar, dar a vida, dar à morte a vida necessária e à vida a morte que ela precisa. A gente não quer esconder essas coisas em um baú, como fazem os medrosos... A gente quer é abrir o porão e dançar com os esqueletos. A gente quer é colocar a melhor saia, a mais comprida e rodada que tivermos, e balançar os quadris. A gente quer fazer amor, se enroscar em alguém que nos faça dar risadas e nos lembrar que temos pele. A gente sente tudo à flor da pele, e isso por muito tempo foi julgado... considerado loucura. Os loucos são eles, que perdem o melhor da vida. E o melhor da vida é vivê-la com intensidade. Poucos sabem o que isto significa. Intensidade é ouvir o coração acelerar e desacelerar aos poucos, é se sujar cozinhando, é cantar, rir, dançar, chorar com toda a dor da nossa alma... Porque sim, intensidade é sentir tudo o que podemos sentir, usar toda a nossa capacidade para ser aquilo que viemos ser. E nós viemos ser nós mesmas. Quando sentarmos na mesa e abrirmos um bom vinho, você verá. Perceberá como tudo parece ir num ritmo próprio, perfeito. Seu relógio irá soar de quinze em quinze minutos, mas não teremos pressa. Pressa é para aqueles que se escravizam, e há muito sabemos que isto já não vale muito... A vida é curta. O tempo nunca é suficiente para fazer tudo o que queremos, mas não... nós conseguimos. Conseguimos despertar anjos e demônios, prostitutas, parteiras, irmãs, avós e ancestrais que vivem aqui dentro do nosso peito combalido. Combalido, mas não cansado. A vida nunca cansa. A vida é isto: este vai-e-vém de emoções, e se não soubermos rir de nós mesmas, como faremos? Por isso, quando nos reunirmos, vamos rir muito. Nascemos pra isso. Uma risada contagia a outra, e nos intervalos comeremos um pedaço de uma torta doce feita com muito amor. Amor por estas mulheres que carregamos em nós, amor por nós mesmas. Amor pelas coisas que nos fizeram sangrar e renovaram nossa alma. Amor pela dor, porque entendemos bem que ela veio para despertar nossa parte adormecida... A parte que achava que a dor é ruim. A dor vem mostrar... 

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