miércoles, 29 de enero de 2014

A morte me deu vida. Isto é tudo o que eu tenho a dizer.
Tenho meus momentos, minhas pequenas-grandes depressões devastadoras, mas não quero falar disso.
Por tantos momentos me entreguei às grandes tempestades de minha alma,
aos grandes furacões que minhas lembranças de vez em quando ousam fazer.
Para a mim a morte sempre foi uma grande solução. Ela veio, devastou tudo. Fiquei sem mar, sem colo, sem chão. Aos poucos, fui reconstruindo tudo. Minha pele foi se regenerando, eu fui crescendo. Ao contrário de algumas pessoas, em mim parece existir um grande impulso para a vida. Por mais que seja calado, por mais que seja contemplativo; pois de vez em quando o que aprecio mesmo é sentar-me em um banco qualquer e observar a vida. Pra no fim perceber que é incrível como tudo está em seu devido lugar. Até mesmo o barulho insuportável dos pedreiros na obra ao lado. Até mesmo o calor escaldante. Até mesmo a falta de dinheiro para o carro 0km. Até mesmo a falta de uma companhia para dividir a cama.
Não se trata disso. Se trata de sentido. Existe um sentido. Um sentido para a vida, para as coisas serem, acontecerem, que de vez em quando tudo é óbvio...

sábado, 4 de enero de 2014

E se a vida não é isso, é o quê?
E se a vida não for isso, é o quê?
E se a vida for tudo isso, o que eu faço com uma vida só que me deram pra viver?

Não tem remédio, não tem receita, não tem verso, não tem rima...
A vida é mesmo toda essa monotonia e vulcões em erupção. Nossa rotina, nossos relacionamentos, nosso trabalho (ou no plural), nossa louça cheia de pia, nossa roupa cheia de tanque, nossos baldes cheios, nossa cabeça cheia, nossa paciência cheia. Mas vai me dizer, que a vida não é boa?
Principalmente quando o dinheiro está ali, separado para as contas e, quem sabe, dessa vez dê até pra ousar e pedir aquele chopp mais caro do bar que você vai toda semana...
Principalmente quando aquele amigo, por quem você brilha os olhos junto e chora junto, vem te visitar, e se abre espaço para boas risadas, boas conversas, boas comidas e boa vida.
Principalmente quando você encontra alguém e se apaixona. Sim. Simples. Principalmente quando a geladeira está cheia, o coração está cheio e os rancores estão calmos.
Quando o travesseiro não pinica, quando amanhece azulado e você decide caminhar...

O fato é que a vida está sempre nos oferecendo coisas. É praticamente um buffet, tem de tudo. Pratos frios, quentes, saladas, grelhados, massas, e churrasco. O que você vai querer comer? Melhor: do que você tem fome? parece propaganda de refrigerante, mas é a vida real. Se você não souber o que quer comer, qualquer coisa serve. Na vida amorosa também. Vale a mesma frase. "Não sabe o que quer comer? Posso dar uma sugestão? Peça este aqui...".
Em tempos difíceis como os de "ultimamente", saber o que se quer comer é como ter olho em terra de cego. Estão todos cegos, loucos, burros. Querem alguém, querem algo, querem alguma coisa. Mas ninguém sabe quem, o quê, quando. Aí fica fácil... Aparece "qualquer coisa".
Saber o que se quer comer é essencial para ser feliz. O frango pode ser delicioso, mas hoje você simplesmente acordou com vontade de moqueca de peixe. É a moqueca que você quer. Se vier frango, tudo bem. Mas o desejo grita "moqueca". Por que insistimos em nos contentar com "qualquer coisa"? Cazuza disse "migalhas dormidas do teu pão... Mentiras sinceras me interessam, me interessam!". Não, Cazuza, NÃO! Não me interessam mais mentiras sinceras. Quero sinceridade, e até pode ser defendida, mas quero verdade.

Escolha o que alimente a sua alma...
E isso não significa "bom" ou "ruim". Apenas "sagrado".

miércoles, 1 de enero de 2014

o primeiro do ano

O silêncio das tardes cálidas
que já não caem
porque depois dos fogos
vem a ressaca... o mar se acalma...
e daqui só ouvimos o canto dos pássaros.
Depois que eu morrer, quero continuar vivendo
porque uma vida só
é muito pouco pro tanto que eu tenho guardado no peito.

o dia de hoje é assim
traz a dor de amor antigo
traz a dor de morte antiga
traz a ausência do amigo
a ausência de prosa

o dia de hoje só traz café fresco
para o estômago oco
os olhos fundos
que choram de vez em quando
ao longo deste dia
que é assim...
até que o ano acabe e comece novamente.
ciclos. ciclos infinitos... isto é viver!