sábado, 10 de mayo de 2014

Hoje não sofro de grandes faltas.
Sofro das pequenezas que compõe a vida,
sofro pela árvore que morre
pela rua de asfalto
pela falta de raízes no solo.
Sofro por aqueles que negam as batidas do próprio coração,
como se coração fosse coisa pouca.

Ausências são buracos que se esvaem
onde tudo cabe nada
e o nada pode tudo: na ausência há uma completude que só a falta pode trazer.
Há um tempo descobri
que é preciso voltar-se para a terra,
pegar na lama
sentir as raízes
para, então, voar bem alto.
É disto que estou falando: de remexer em baús
redescobrir cartas
soltar os presos que têm tanto a me contar.
É disto: deste aceitar, que eu falo. Coisa estranha, bem sei, mas
coisa também que não quero perder.
Porque já perdi tempo demais achando que meus baús deveriam ser fechados,
lacrados, esquecidos.
E dia a dia, enquanto envelheço, remexo neles:
Pra não te perder na memória
pra não deixar a vida me afastar das raízes
pra não esquecer desta história, minha.

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