domingo, 17 de agosto de 2014

Quando eu era mais moça, gostava de escrever muito aos domingos. Escrevia sobre o meu tédio e horror à esse dia, escrevia contos de garotas que fumavam escondido e sobre a vida de mulheres de vinte e poucos anos. Hoje eu sou essa mulher de vinte e poucos anos. Hoje eu não fumo escondido. Hoje eu já não faço quase nada escondido: não sou mais escondida. Me achei, depois de um longo período me procurando, e agora ando com uma placa levantada pelas ruas: eu sou eu. 
Demorei pra chegar até aqui, demorei para gostar disso, e às vezes ainda penso que sou insuficiente. Mas, logo depois me questiono: insuficiente pra quem? Quem gostaria que eu fosse mais do que eu sou? Só eu posso querer isso. E aí quando vejo que posso ser mais, que posso querer mais do que quero, eu vou à luta. Calço minha botas, me estrepo pelo caminho, mas luto. 
Eu não preciso mais me esconder de tantas coisas, sou o que sou e prefiro quem goste de mim desse jeito. 
Prefiro que não tentem se adaptar a mim. Prefiro quem, simplesmente, bate o santo com o meu. Porque não, eu não vou gastar muita energia para manter por perto aqueles a quem minha companhia não faz tanta diferença. Quero aqueles que digam: "Não, sem a Manuela não há festa." E aí então eu estarei lá. Fazendo a festa, fazendo a diferença. Por muito tempo me perguntei o que eu realmente fazia pelos ambientes que ocupava e com as pessoas em minha volta. Qual era o meu brilho especial? O que faz as pessoas gostarem e se aproximarem de mim? O que pensam as pessoas quando me veem?
Hoje posso afirmar com um pouco mais de firmeza que faço algo que ninguém mais faz. Eu brilho. Mesmo que meu brilho às vezes seja opaco e minha voz embargada, mesmo quando estou melancólica e vazia. Eu brilho do fundo do poço. E disso eu não me envergonho. 

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