martes, 28 de octubre de 2014

Simplicidade

O que é a vida que levo
senão a vida que vivo?
O que é essa vida que levo
senão a vida que posso?



sábado, 25 de octubre de 2014

daquilo que se arca

dentre as escolhas mais difíceis, está uma que elejo: a de arcar.
com as próprias tranqueiras afetivas, com o passado (meu e do outro),
o presente e o futuro. arcar implica assumir riscos, fazer escolhas conscientes, ou quase lá,
mas que não sejam mais culpa do outro. culpa de Deus. arcar significa assumir a culpa.
assumir que não importa quanto não se queira assumir, esta decisão deverá ser tomada.
assumir que não importa sob quais condições, a escolha é nossa e apenas nossa.
é chegada a hora de viver legitimamente. seja para assumir isto ou aquilo, tomar este ou aquele caminho, é preciso arcar. inclusive com a própria dor.
arcar não significa que "tudo vai dar certo".
às vezes as coisas não funcionam, não saem conforme o planejado,
o outro não quer o mesmo que a gente.

tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas, e também por aquilo que assumes.


viernes, 24 de octubre de 2014

os prematuros são apressados
têm pressa de viver
e sonhar
querem tudo ao mesmo tempo.

os prematuros têm certeza
de que o mundo acaba amanhã
de amanhã não passa: não amanhece
nem anoitece
"hoje é a minha última noite" -
berram eles.

se há deslize
já existe motivo para
"tudo está perdido"
prematuros não têm cura
seu único remédio
se chama "é pra já".

viernes, 17 de octubre de 2014

Ai.

me dói
me dói a dor de viver
a dor de amar
a dor de partir
a dor de deixar.

me dói as dores que já doeram
me corrói a pele o toque desfeito
o amor desfeito
o amigo desfeito
o beijo desfeito:
bem-feito.

me doem as opressões
as impressões
as visões que tenho do passado
e do presente.

me dói
e estou só.


domingo, 12 de octubre de 2014

Quando a gente é criança, dá pra fazer algumas coisas sem pensar nas consequências.
Dá pra 'ir levando'. Tem sempre alguém na retaguarda pra dar abrigo, se a gente perder o jogo. Ou se o amigo fez chorar. 
Não acho que quando crescemos (porque crescer não significa ser adulto. existem adultos não crescidos) somos, assim, tão castigados. Só porque agora não dá mais pra esperar a retaguarda de alguém, só porque não dá mais pra não enxergar as consequências das coisas, não significa que "quando éramos crianças era melhor". Era melhor porque não precisávamos nos responsabilizar. Foi essa palavra que colocaram no vocabulário dos adultos, e que torna tudo tão difícil, a vida tão dura. 
Bebeu até cair? Tratou alguém mal, sem ter a intenção? Transou com um desconhecido? Não pagou a conta de luz? Esqueceu de fazer mercado? Problema seu. Meu, nosso. 
Agora, simplesmente, não dá pra pedir socorro. Só se dissermos "Socorro, vida real!", e ela vai responder, lá no eco da nossa maturidade "Te vira, neguinho". 
A gente, como criança crescida, ou como adultos, que seja, pode curtir. Podemos não querer enxergar as consequências. Mas é preciso se responsabilizar. Se comprometer. Ser legítimo. Bancar o estrago no dia seguinte. 
Podemos agir como crianças, mas não podemos nos esquecer da palavrinha que nos acrescentaram: responsabilidade. 

Que, ironicamente, rima com idade, maturidade, infantilidade e saudade.
Que saudades da minha infância!

domingo, 5 de octubre de 2014

A título de força.

Minha querida, há tempos quero te escrever. Mas o que dizer? 
A gente tem tantas palavras pra tantas coisas, e agora elas me faltam. 
Ah, nos encontramos tantas e tantas vezes para falar sobre a vida... jogar palavras pro ar. Onde foi que jogamos as palavras? Quero-as de volta, para poder te dizer. Te dizer te dizer te dizer, te dizer o quê? Que você faz falta, além de fazer poesia. 
... Às vezes me pergunto se falar seria aconselhável. Mas se não temos as palavras, temos o quê? Temos. Temo. Tememos. Vamos falar dos temores? Terrores? Também não sei...
O que uma alma que teme poderia conversar com outra que também teme?  
Eu não posso mentir, porque eu mudei. Eu emudeci.
Mas eu continuo a mesma, a mesma que você (eu sei) sabe quem é. E é por isso que gosto tanto de você: porque você é parte de mim. Daquilo que perdemos quando nascemos, e encontramos depois que crescemos. Amigo. 
Minha amiga, mesmo sem palavras, mesmo muda, em mim cabe o que você quiser dizer. Seja palavra, grito, poema, nada. O que tenho pra você é ouvido, alma. 
Sinto que você tem se mostrado forte, e acho isso muito bonito. Eu também tenho tentado estar forte.

Desejo, imensamente, que tudo isso acabe logo. Que sua fé não se esgote. Que as miudezas miúdas, como a formiga do Manoel, te façam ter esperança. Que o cheiro do café (tomara que não esteja te enjoando) te revigore. Que a luz do céu (azul, cinza ou chuvoso) te mostre como a natureza é sábia, constante, apesar das tempestades. E que a vida é isso, minha querida: temos que passar pelas tempestades. Tarefa difícil... mas desejo que você encontre força no sorriso de alguém que te ama,
em uma noite regeneradora de sono, em uma leitura ou em um filme que assistir. 
É uma merda ter que encontrar forças, eu sei,  mas eu tenho um ato-falho engraçado pra te contar.
Estava conversando com a Lilian e ela tinha que ir embora. Ela me perguntou: "O que você vai fazer agora?", e eu ia até a unimed buscar o cheque do meu pagamento. Então eu disse: "Vou lá buscar meu cheque, pra ver se 'dá um up' nesse banheiro!". Banheiro?! Meu Deus, por que eu disse banheiro? - falei pra ela. Ela, se matando de rir, falou: "porque é assim, Manu, você quer encontrar um up no meio dessa merda toda... porque às vezes tudo está um banheiro mesmo, cheio de merda!"
Eu não sei o que queria dizer no lugar de banheiro. Provavelmente, banheiro mesmo. 
E é isso... No meio de toda essa merda, a gente encontra coisinhas pra dar um up... 
Desejo que você as encontre... e reencontre... dia após dia. Até estarmos juntas de novo pra tomar um café e rir da vida. 

Te amo muito.
Beijos.