domingo, 5 de octubre de 2014

A título de força.

Minha querida, há tempos quero te escrever. Mas o que dizer? 
A gente tem tantas palavras pra tantas coisas, e agora elas me faltam. 
Ah, nos encontramos tantas e tantas vezes para falar sobre a vida... jogar palavras pro ar. Onde foi que jogamos as palavras? Quero-as de volta, para poder te dizer. Te dizer te dizer te dizer, te dizer o quê? Que você faz falta, além de fazer poesia. 
... Às vezes me pergunto se falar seria aconselhável. Mas se não temos as palavras, temos o quê? Temos. Temo. Tememos. Vamos falar dos temores? Terrores? Também não sei...
O que uma alma que teme poderia conversar com outra que também teme?  
Eu não posso mentir, porque eu mudei. Eu emudeci.
Mas eu continuo a mesma, a mesma que você (eu sei) sabe quem é. E é por isso que gosto tanto de você: porque você é parte de mim. Daquilo que perdemos quando nascemos, e encontramos depois que crescemos. Amigo. 
Minha amiga, mesmo sem palavras, mesmo muda, em mim cabe o que você quiser dizer. Seja palavra, grito, poema, nada. O que tenho pra você é ouvido, alma. 
Sinto que você tem se mostrado forte, e acho isso muito bonito. Eu também tenho tentado estar forte.

Desejo, imensamente, que tudo isso acabe logo. Que sua fé não se esgote. Que as miudezas miúdas, como a formiga do Manoel, te façam ter esperança. Que o cheiro do café (tomara que não esteja te enjoando) te revigore. Que a luz do céu (azul, cinza ou chuvoso) te mostre como a natureza é sábia, constante, apesar das tempestades. E que a vida é isso, minha querida: temos que passar pelas tempestades. Tarefa difícil... mas desejo que você encontre força no sorriso de alguém que te ama,
em uma noite regeneradora de sono, em uma leitura ou em um filme que assistir. 
É uma merda ter que encontrar forças, eu sei,  mas eu tenho um ato-falho engraçado pra te contar.
Estava conversando com a Lilian e ela tinha que ir embora. Ela me perguntou: "O que você vai fazer agora?", e eu ia até a unimed buscar o cheque do meu pagamento. Então eu disse: "Vou lá buscar meu cheque, pra ver se 'dá um up' nesse banheiro!". Banheiro?! Meu Deus, por que eu disse banheiro? - falei pra ela. Ela, se matando de rir, falou: "porque é assim, Manu, você quer encontrar um up no meio dessa merda toda... porque às vezes tudo está um banheiro mesmo, cheio de merda!"
Eu não sei o que queria dizer no lugar de banheiro. Provavelmente, banheiro mesmo. 
E é isso... No meio de toda essa merda, a gente encontra coisinhas pra dar um up... 
Desejo que você as encontre... e reencontre... dia após dia. Até estarmos juntas de novo pra tomar um café e rir da vida. 

Te amo muito.
Beijos. 

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