domingo, 1 de marzo de 2015

roda-viva

eu pensava que a gente tivesse que reinventar a vida -
e o céu, e as árvores, e os diferentes tons de todas as cores que estão no mundo, e nosso sentimento pelas pessoas, tudo, absolutamente tudo -
para vencer a monotonia
mas não.
porque a reinvenção também chega a um ponto de exaustão,
em que não é possível reinventar nada: tudo é igual, as horas são iguais, os dias são iguais, até as coisas diferentes são iguais.
aí vem o amor, e muda os rumos, o cabelo, a casa, a cama, mesa e banho.
um terror, sim, mas se assim não fosse, qual seria a graça?
o amor tem um slogan:
por que não bagunçar um pouco? a casa, o cabelo, a cama, a rotina?

mas amor também acaba.
deixa vazio.
às vezes não acaba,
mas sai pela mesma porta que entrou
e nos deixa cheio de dor.

a nossa missão
é arrumar tudo de novo
quando o amor vai embora
a gente arruma um jeito novo,
se veste de um jeito novo,
arruma um amor novo
feito ovo,
que nasce de novo
(quem veio primeiro: a paixão ou a miséria do seu fim?)
amor é um jogo de controvérsias loucas
em que a gente aprende, na marra, a amar nossos opostos.

quando a gente ama, tudo é novo.
mesmo que aconteça tudo de novo.
levantar da cama ganha uma nova graça
mesmo o mundo sendo uma desgraça.
quando o amor escassa
tudo perde graça:
é hora da comparsa
da boa e velha
cachaça.

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