viernes, 26 de junio de 2015

tem dia
que é mais pra dentro que se olha,
é mais ferida,
fratura
exposta pro espelho
ver.

tem dia
que não tem música
que consola,
é só o barulho
do serrote
da máquina de lavar
carregada com roupa já vivida,
da vida pulsando em todos os eletrodomésticos
e aqui dentro
meu estômago vazio
com fome de paz.

a cabeça anda acima do limite de velocidade
levo multa,
multas
por nunca parar.

tem dia que nem parece dia
parece noite avessa
escrota
amarga
absorta.
vagando pelas horas
sem nenhum sentido.

viver não se escolhe
apesar de alguns acreditarem que sim.
até pra morrer
é preciso ter os pulmões cheios
de um último ar.
até pra morrer
é preciso querer.
é preciso estar.
é preciso ser.
viver não se opta
como se opta comer couve flor
ou batata frita,
tomar vinho
ou marguerita.

viver é urgente,
é sempre ofegante,
como ultrapassar correndo todos os sinais vermelhos
e não morrer
por um triz
ou,
simplesmente
porque ainda
não é hora.

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