martes, 18 de agosto de 2015


[a minha solidão
é a coisa mais povoada que conheço
nela moram artistas, rebeldes, ativistas.
a rima, não.
esta me ocorre apenas por acidente,
assim como você
assim como eu.

somos uma batida de frente
no meio da rodovia.
nenhum ferido,
mas a polícia veio
checar o que houve.
atrapalhamos o trânsito
de um dia normal:
"calma, senhores, é só uma atração
nada fatal
nada banal
um pouco carnal".

nada de mais, afinal.

nada de mais.

mesmo assim
nos levaram ao hospital
para alguns exames.
desconfiam de uma fratura interna
intensa
hemorragia grave
morte lenta
e horrorosa.

não é nada de mais.

mas o meu coração
- este órgão que é cego,
surdo,
mudo
e apenas pulsa;
este órgão
a quem dotamos sentido,
fiascos,
temores,
e poderes sobrenaturais -
diz que não.

assumo, por fim:
foi um pouco grave.
mas antes uma batida de frente,
encarar de uma vez por todas
o demônio com seu tridente
(o amor, enfim)
do que passar uma vida inteira
dirigindo dentro do limite de velocidade]

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