miércoles, 13 de enero de 2016

quarta-feira

abro o olhos
abro a outra metade da janela
abro o pote de café
e a lata de patê para as gatas
abro o gás
abro a térmica
abro o açúcar e ao som do primeiro gole quente
abrem-se as alas do meu dia

abre meu pranto
abre um pouco
a tristeza
essa coisinha incômoda que ainda não descobri o motivo
abro o requeijão
abro o pacote de torradas

levanto da mesa
abro o livro da matilde campilho
leio quatro ou cinco poemas
de pé
não tenho tempo, penso

eu e o tempo,
essa coisa aberta
pulsante
viril
patriarcal
que me toma outro tanto de espaço
para ler poesias
maldito tempo.

mas eu tenho tempo, penso
duas horas, penso
ok, quase duas
mas já é alguma coisa

leio os poemas
sobre duas patas
porque o relógio
mata meu instinto
pueril.

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