domingo, 14 de febrero de 2016

por que é tão difícil aceitar que não somos e/ou não nos tornamos tudo aquilo que sonhamos?
será que deveríamos aceitar?

estive calmamente observando a chuva chegar
primeiro veio o calor
aquele bafo quente típico que antecede as chuvas finas das tardes de verão
quando eu aceitei, enfim, que choveria em mim,
ela começou.
pude ficar olhando as nuvens cinzas se formarem em cima da minha cabeça,
e era incrível poder constatar que o céu estava da mesma forma que a minha alma.
chovia.
fino e manso, enquanto em mim uma tempestade de ideias se acumulava.
quando eu me deixaria escorrer?
quando eu iria permitir que se fizesse chuva?
é uma ameaça.

esse negrume deveria se materializar em mudanças efetivas: de casa, de emprego, de vida.
eu só precisava aprender a deixar que isso acontecesse.
luto contra a chuva em mim, mas o céu, que sempre foi mais esperto do que eu, me mostra que com algumas coisas é impossível competir.


jueves, 11 de febrero de 2016

recado escrito com batom bordô no espelho do banheiro

(...)

podem enfeitar como quiser: no fim das contas, tudo o que a gente quer é alguém que nos leve a toalha até o banheiro quando a esquecemos.

(tomara que a vida não seja um longo banho quente para o qual esquecemos de levar a toalha).


sinas e sinais vitais e inevitáveis

toda vez que penso
em você
meu coração acelera.
contraditoriamente,
nenhum sinal
vital
responde.

pulso
perto de zero
e ainda
sonho.