sábado, 7 de mayo de 2016

há três meses eu tinha quatro cabeças de alho na cozinha
duas cebolas
frutas e verduras frescas;
há um mês eu tinha um bolo recheado
compartilhado com algumas amigas
eu tinha mais roupas no cesto,
menos cansaço nas pernas,
uma decisão a menos.

a prova pela qual passa o tempo somos nós
somos eu e você, que já não nos amamos mais
que já nos perguntamos
será?
que já não é já.
a prova real do tempo é ontem.
o espelho, que mesmo empoeirado mostra o meu rosto cheio de vida
apesar de algumas vezes abatido,
noutras vezes confuso.

a prova do tempo são as fotos antigas
as fotos que já não temos,
porque os filmes já não se revelam mais.
os filmes já não se alugam mais,
os velhos já não nos cumprimentam mais
eu e você já não somos mais

sem lamento,
fico com o tempo que tenho.
amanhã será outro.
e por sabê-lo outro, sempre novo,
é quase sempre o mesmo.
o tempo desafia meus olhos a enxergar detalhes formidáveis
na mesmice.
o tempo nos engana.
agora já é chegada a época de dizer "há 10 anos", "naquela época", e todas as outras expressões que escancaram a passagem da vida, a presença da morte, o tempo gasto.
agora é chegada a hora de dizer que precisamos viver, antes que o tempo acabe. o nosso.
porque se não é mais meu e seu, pode ser outro.
ainda podemos reinventar.

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